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GESTÃO INDIVIDUALISTA, ESGOTAMENTO MENTAL E FALTA DE RECONHECIMENTO ESTÃO ADOECENDO SERVIDORES, APONTA PESQUISA NACIONAL DE SAÚDE

A pesquisa foi aplicada em 1397 servidores, teve a coordenação acadêmica do LPCT (Laboratório de Psicodinâmica e Clínica do Trabalho) da Universidade de Brasília e a coordenação técnica do GEPSAT (Grupo de Estudos em Práticas Clínicas, Saúde e
Trabalho). 

A Fenajufe divulgou na última semana o resultado da Pesquisa Nacional de Saúde, lançada no dia 22 de outubro de 2018 e aplicada em 1397 servidores, teve a coordenação acadêmica do LPCT (Laboratório de Psicodinâmica e Clínica do Trabalho) da Universidade de Brasília e a coordenação técnica do GEPSAT (Grupo de Estudos em Práticas Clínicas, Saúde e
Trabalho). Inédita, a pesquisa revelou riscos de sofrimento e adoecimento no ambiente de trabalho entre servidores do PJU e do MPU, entre eles, identificam-se a predominância de três indicadores: o estilo de gestão individualista, a divisão social do trabalho, o esgotamento mental e a falta de reconhecimento.

De acordo com a professora Dra. Ana Magnólia Mendes, da Universidade de Brasília, o sofrimento apontado pelo estudo é caracterizado pela revolta de submeter o trabalho a decisões políticas, pelo desgaste e pelo cansaço. “Predomina um estilo de gestão individualista caracterizado pelo número de trabalhadores Sofrimento e adoecimento pelo Trabalho no Judiciário insuficiente para a execução das tarefas, inflexibilidade nos prazos e normas para a realização de tarefas, ritmo de trabalho inadequado e falta de participação dos funcionários nas decisões sobre o trabalho”, afirma.

AVANÇOS TECNOLÓGICOS, ESTRESSE E AMBIENTE INDIVIDUALISTA 

De acordo com o relatório final da pesquisa, essa angústia se agrava no trabalho com processos eletrônicos. Se, por um lado, essa modernização melhora as condições de insalubridade do ambiente de trabalho ao diminuir, por exemplo, o contato com o pó que se acumulava nos materiais, por outro lado, trabalhar na mesma posição por um longo período de tempo em computador provoca danos físicos, como tensões corporais e problemas de visão. Além disso, aumenta, ainda, tensões psíquicas frente a exigência imperativa de não poder errar, a sobrecarga de trabalho pelas demandas de respostas rápidas e maior estresse.

Outro impacto apontado pelo relatório é que esse estilo de organização do trabalho com as novas tecnologias desestrutura os coletivos, isso porquê se cria um ambiente de trabalho onde não se fala apenas se cala para evitar o erro, gerando a sensação de isolamento, individualização e abre possibilidade para práticas de assédio moral.

Todas essas tensões vivenciadas silenciosamente gera patologias e medicalização, segundo o estudo. Entre essas patologias, os dados apontam doenças, como Tendinite nos dedos das mãos; Tendinose; Epicondilite no cotovelo; LER/DORT; Síndrome pós pólio; Depressão; Síndrome do Pânico; Ansiedade; Bipolaridade; Fobias; Bursite; Síndrome de Visão do Computador. Já a medicalização se justifica no uso de remédios para ansiedade, antidepressivos, para dormir e para dores musculares, além do uso constante de colírios para olhos ressecados pelo uso excessivo dos computadores. Esta é a situação de pelo menos 40% dos(as) servidores(as) que trabalham no Judiciário e Estadual, Federal e MPU no momento da realização da pesquisa. Esse número tende a crescer se um limite não for colocado nos modos de organizar o trabalho e de fazer a gestão.

Resultados completos: