Notícias da Semana (27/01/2012)

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Imprensa

Quem paga a conta

 

Nessa semana, destaca-se relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que diz: o mundo tem hoje 27 milhões de desempregados a mais do que em 2007, quando a crise econômica estourou.

De acordo com o relatório Tendência Globais de Emprego 2012, cuja argumentação é de clara capitulação frente ao capital, será necessário gerar 600 milhões empregos ao longo da próxima década “para manter níveis de crescimento sustentável e coesão social”. O “estoque de desemprego” mundial, afirma a entidade, é de 200 milhões de pessoas.

Entre 2007 e 2010, a proporção de pessoas empregadas em relação ao total da populaçãoteve a maior queda da série histórica: de 61,2% para 60,2%.

Outro ponto a destacar: nos próximos 10 anos, 40 milhões de pessoas entrarão no mercado de trabalho a cada ano. Seria, portanto, necessário gerar 400 milhões de empregos novos para absorver tais trabalhadores, além dos 200 milhões de “estoque”.

 

 


 

 

Brasil pode ter apagão logístico


De acordo com o Presidente da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo, a infra-estrutura de transportes brasileira é cara e ineficiente. As ferrovias têm extensão limitada e cresceram pouco, nos últimos anos. Após a privatização do setor ferroviário, iniciada nos anos 90, as ferrovias estão concentradas em poucas empresas, que servem, basicamente, aos setores exportadores e exercem forte poder de monopólio Segundo O Globo, os fretes cobrados pelas concessionárias dos serviços de trens de carga estão muito acima do teto que a ANTT considera razoável, encarecendo em muito as exportações do país. O governo obrigará as empresas a reduzir de 10 a 69% seus preços, a partir de março.

A questão é profunda. A opção pelo transporte rodoviário, feita nos anos 50, atendeu à demanda de aceleração do crescimento e fez da indústria automobilística o principal pólo dinâmico da indústria brasileira e o “tom” do crescimento do capitalismo no Brasil nas décadas seguintes, a partir da vinda de empresas estrangeiras, um pólo que exerce forte influência política nas decisões do Governo. Cresceram a indústria de autopeças e diversas outras atividades  relacionadas, construíram-se rodovias por todo o país, deixando o setor ferroviário em segundo plano. Com o aumento vertiginoso dos preços do petróleo, ocorrido na década de 70, os custos do transporte rodoviário elevaram sobremaneira..

Mesmo que o setor ferroviário receba mais recursos e tenha seus preços melhor controlados, não haverá uma melhoria geral no sistema de transportes no Brasil sem o seu redirecionamento para a ênfase ferroviária e aquaviária (ambas muito mais econômicas), com forte expansão. Ao contrário do que afirma a matéria de O Globo, o caminho não é a “maior concorrência” (que não se dará, até mesmo por razões de mercado), mas sim a reestatização do setor e o seu redenho para o atendimento das necessidades sociais.

 


 

Falta pouco para a liderança...

 

 

O Brasil é o segundo país com maior desigualdade do G20, segundo o estudo “Deixados para trás pelo G20?” - realizado nos países que compõem o grupo. Apenas a África do Sul ficou atrás do Brasil no levantamento. Mas a burguesia brasileira tinha que ser campeã em algo... Quando se levanta a participação dos 10% mais pobres na renda nacional , em um subgrupo de 12 países, o Brasil apresentou o pior desempenho de todos.

 


 

Economist: ‘Capitalismo de Estado brasileiro é ambíguo’

 

A publicação de cabeceira dos neoliberais tachou em sua reportagem: no Brasil, “o Estado voltou a se fazer presente com força na economia nos últimos anos”. De acordo com a publicação, "o governo despejou recursos em um punhado de (empresas) campeãs, particularmente no setor de recursos naturais e telecomunicações". Em sua cantilena direitista, afirma que o governo pressiona a Vale "para manter funcionários que não precisa, além de obrigar uma série de companhias menores a embarcar numa consolidação subsidiada".

Além disso, a reportagem cita a fusão Sadia-Perdigão e a compra da Brasil Telecom pela Oi para dizer que tal “capitalismo de Estado” é na verdade um “Leviatã como acionista minoritário”.

De nossa parte, cabe ressaltar: sim, o Estado brasileiro, capitaneado pelo PT, é acionista de várias empresas, das menores aos grandes “players” internacionais. E sua gestão é tão exploratória quanto a da iniciativa privada – isso sem falar nas empresas controladas por fundos de pensão...

 


 

Deu no NYT

 

 

Matéria do New York Times desta quarta-feira afirma que embora tenha ocorrido "grandes avanços" no combate ao desmatamento da Amazônia, “desde que a presidente Dilma Rousseff foi eleita presidente, no final de 2010, há sinais de uma mudança na atitude do governo em relação à Amazônia”.

“O governo está dando mais flexibilidade para grandes projetos de infra-estrutura durante o processo de licenciamento ambiental. E uma proposta daria ao Congresso do Brasil o poder de veto sobre o reconhecimento de territórios indígenas”, afirma a matéria – que critica o novo Código Florestal.

"O debate sobre a lei revelou uma forte diferença entre uma população que está cada vez mais a favor de preservar a Amazônia e um Congresso no qual interesses agrícolas no Norte e Nordeste do país ainda têm influência”. Não só destas regiões, New York Times. Não só.

 


 

Para Planalto, há imigrantes e imigrantes...

 

 

A BBC afirma o Brasil atrai executivos europeus e norte-americanos que fogem da crise econômica. Além disso, algumas empresas que sentem a falta de profissionais das engenharias( principalmente), encontram no Estado um “captador” de mão-de-obra. Ao mesmo tempo, em política que envergonha o povo brasileiro, são cada vez maiores às restrições de imigrantes pobres, alguns em regime de trabalho semi-escravo no Brasil; e em especial os haitianos.

Alguns dados demonstram a nova realidade nesse assunto: em 2009, havia 2.172 indianos vivendo regularmente no Brasil. Em junho de 2011, o número saltou para 2.639. No mesmo período, a quantidade de paquistaneses no país passou de 134 a 216, e a de bengalis (oriundos de Bangladesh), de 64 a 109. Os números, do Ministério da Justiça, servem para demonstrar: o país deve se preparar para acolher estes trabalhadores, e não dificultar suas vidas – como ocorre com os brasileiros que tentam ganhar a vida nos EUA e na Europa.

 


 

Petrobrás “muy amiga”

 

 

Em sua primeira aparição pública após 20 dias de licença médica, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, atacou as companhias de petróleo que operam no país, entre elas a Petrobrás.

Kirchner “colocou os pingos nos is”: as petrolíferas formam cartel, recusam-se a investir na produção e praticam sobrepreço na Argentina. Também afirmou que “o subsolo é dos argentinos” e disse que tomará providências para que as companhias invistam na produção: “Vou usar todos os instrumentos que a Constituição e as leis permitem para defender os interesses dos 40 milhões de argentinos”.

 


 

ONG denuncia torturas na Líbia – só agora

 

A organização Médicos sem Fronteiras (MSF) suspenderá suas operações nos centros de detenção da cidade líbia de Misrata como resposta às torturas praticadas nos presos, segundo anúncio desta quinta-feira.

Estranho que só agora a ONG tenha “descoberto” a tortura por parte dos agrupamentos políticos que tomaram conta do país sob ordens do imperialismo. Segundo a ONG, já foram 115 pessoas tratadas com ferimentos provocados por tortura. Como em qualquer sistema de repressão, o número é claramente inferior ao real: muitos outros, em condições piores, não “podem” receber atendimento médico devido ao grau das torturas.

 

 
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